✝️ LUTO 😞 O historiador italiano CARLO GINZBURG, pioneiro no estudo da micro-história e da cultura popular, morreu aos 87 anos, informou sua filha nesta quarta-feira (17). "Adeus, pai", escreveu Lisa Ginzburg, escritora e filósofa, em um post no Instagram acompanhado por uma foto dela com o pai. Ginzburg, um intelectual de esquerda, escreveu sobre vários temas, dos julgamentos por bruxaria e crenças em magia na Itália renascentista até a história intelectual da Europa.
Carlo Ginzburg nasceu em Turim, em 15 de abril de 1939. Filho do intelectual Leone Ginzburg e da escritora Natalia Ginzburg, alcançou lugar entre os mais importantes nomes da historiografia da segunda metade do século XX, como um dos mestres da micro-história, corrente formada na Itália na década de 1970 que apontou outras maneiras de ler o passado a partir do que era ignorado pela historiografia tradicional: o comum e o pormenor.
Ginzburg obteve doutorado em filosofia na Scuola Normale de Pisa. Ele foi professor na Universidade de Bolonha, na Scuola Normale Superiore de Pisa e na Universidade da Califórnia, a UCLA. Ao lado de outros intelectuais, ele defendeu o jornalista de extrema esquerda Adriano Sofri, condenado pelo assassinato, em 1972, de um delegado de polícia.
Sofri, amigo de Ginzburg, foi condenado em 1997, após sete julgamentos, a 22 anos de prisão. Ele deixou a prisão em 2012. Em 1991, Carlo Ginzburg escreveu um livro sobre o primeiro julgamento de Sofri, no qual menciona um erro do Judiciário e afirma ter encontrado semelhanças com os processos contra a bruxaria dos séculos XVI e XVII.
Icônica é “O queijo e os vermes”, livro de 1976 que marcou sua trajetória. A obra se centra na história do moleiro Menocchio, julgado pela Inquisição por suas crenças religiosas; por meio da leitura atenta e minuciosa dos documentos do julgamento, Ginzburg traz à superfície da história uma figura esquecida.
“O fio e os rastros”, “História noturna”, “Os andarilhos do bem”, “Nenhuma ilha é uma ilha”, “Olhos de madeira”, “Investigando Piero”, “Mitos, emblemas, sinais”, “Medo, reverência, terror” e “Relações de força” são outros de seus livros publicados no Brasil.
Agraciado com 19 títulos de doutor honoris causa, Carlo Ginzburg recebeu diversas premiações e foi traduzido para mais de vinte idiomas. Enfim, vai-se o homem, cujo corpo físico deu o último suspiro, sobrevive a obra. E que obra! 👏👏👏👏👏👏
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🧭 Concepção e elaboração do post 📝José Ricardo 🖋️ professor e historiador.
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