😓🖤 Num dia como hoje, 22 de outubro, há 96 anos, morria em Recife, a escritora, poetisa e professora ANAYDE BEIRIZ, que se destacou por sua inteligência, sua produção literária e suas ideias avançadas sobre a liberdade feminina. Tornou-se conhecida também por seu relacionamento amoroso com o advogado João Dantas, personagem ligado a um dos episódios mais marcantes da história política da Paraíba.
Anayde nasceu em 18 de fevereiro de 1905, na cidade da Paraíba, atual João Pessoa. Em 1922, aos 17 anos, concluiu sua formação na Escola Normal, destacando-se entre as melhores alunas da turma. Posteriormente, tornou-se professora na Colônia de Pescadores Z-2, em Cabedelo, onde trabalhou com a educação de pessoas de origem popular. Também escrevia poemas e colaborava com revistas e jornais da época.
Seu estilo de vida chamava atenção: usava cabelo curto, frequentava saraus literários e participava ativamente dos círculos intelectuais paraibanos, rompendo com os padrões conservadores da sociedade da época. Por seus olhos escuros, ganhou o apelido de "Pantera dos Olhos Dormentes". Também manifestava apoio ao voto feminino e à participação das mulheres na vida política e social. Por essas atitudes, enfrentou preconceitos e julgamentos morais que questionavam seu posicionamento emancipado.
Em 1928, Anayde começa um relacionamento amoroso com o advogado e jornalista João Duarte Dantas, opositor político de João Pessoa, então presidente Paraíba. Em 22 de julho de 1930, após a invasão do escritório de João Dantas, que ficava num sobrado da Avenida Duque de Caxias no centro da antiga capital Parahyba, cartas e documentos particulares do casal foram expostos publicamente. O episódio agravou as tensões políticas e provocou grande repercussão.
Em 26 de julho de 1930, João Dantas assassinou João Pessoa, na Confeitaria Glória, no Recife. O crime tornou-se um dos acontecimentos associados à crise política que antecedeu a Revolução de 1930. Dantas e o cunhado foram presos na Casa de Detenção do Recife (atual Casa da Cultura). No dia 6 de outubro de 1930, Dantas foi encontrado morto ao lado do cunhado Augusto Caldas. A versão oficial foi que ele matou o cunhado e se matou depois.
Após a morte de Dantas, Anayde sofre intensa perseguição moral e política, sendo alvo de calúnias que a retratavam como imoral, promíscua e indecente. Hostilizada pela sociedade e sem o apoio da família, Anayde refugiou-se em um abrigo de religiosas no Recife e cometeu suicídio por envenenamento em 22 de outubro de 1930, aos 25 anos. Foi enterrada como indigente no Cemitério de Santo Amaro, no Recife.
Anayde Beiriz não chegou a publicar um livro em vida. Sua produção literária ficou dispersa em revistas e jornais da década de 1920 (como por exemplo, Revista da Cidade, Era Nova e Revista Ilustração), e parte de seus escritos permaneceu inédita por muitos anos. Sua produção literária tem sido recuperada por estudos acadêmicos recentes.
Alguns livros procuraram desvendar quem foi esta mulher paraibana e de atitudes revolucionárias. Exemplos disso são os livros Anayde Beriz, Paixão e Morte na Revoluçao de 30, escrito por José Joffily; Anayde Beiriz - A Última Confidência (2022), escrito por Valesca Asfora; e Anayde Beiriz: Rememorando a Vida e a História (2023), escrito por Francisca Vânia.
Na filmografia, Beiriz foi retratada no longa "Parahyba Mulher Macho" (1983) dirigido por Tizuka Yamasaki, tendo a atriz Tânia Alves como protagonista. O filme desagradou à família dela por apresentar uma Anayde mais sensualizada, o que segundo eles, reforçavam os estereótipos sexistas disseminados na época contra ela. Existe também um documentário dirigido por Emanuel Limeira e Lays Amaro, chamado "Anayde Beiriz e João Dantas: um romance nos anos 30" (2019).
Anayde merece ser lembrada não apenas como companheira de João Dantas, mas também como uma mulher que buscou exercer sua liberdade intelectual e pessoal em uma época de fortes restrições à autonomia feminina. Sua história tornou-se um retrato da repressão e do sexismo vigentes na época, ao mesmo tempo em que transborda algo de precioso: o anseio de viver a vida em plenitude de amor e liberdade. Ela foi um mulher muito à frente do seu tempo, em múltiplos aspectos: ousada, livre, plural, modernista. A primeira professora de Educação de Jovens e Adultos do Brasil é reconhecida pela historiografia e pelo movimento feminista como uma importante voz poética e um símbolo de resistência intelectual e libertação feminina contra as estruturas oligárquicas do Nordeste. 💄👠💋💪👊
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🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo 🖋️ professor e historiador.
🤖✍️ Texto escrito com auxílio das IAs Copilot (Microsoft) e Gemini (Google).
👉 Para saber mais sobre o assassinato de João Pessoa e a Revolução de 1930, acesse:
👉 Para saber mais sobre o assassinato de João Pessoa e a Revolução de 1930, assista:
🎞️ https://youtu.be/IS8TC240w88 - sobre a Revolução de 1930.
🎞️ https://youtu.be/bvEKd2oUK8c - sobre a morte de João Pessoa.
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