sábado, 29 de janeiro de 2022

HOJE NA HISTÓRIA - 29.01.22 - 117 Anos da Morte de José do Patrocínio

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🖤😓 Num dia como hoje, 29 de janeiro, há 117 anos, morria no Rio de Janeiro, o escritor, jornalista, político e abolicionista JOSÉ DO PATROCÍNIO. Ele atuou pelo fim definitivo da escravidão no Brasil, por isso ficou conhecido como Tigre da Abolição. Também foi vereador pela Câmara do Rio de Janeiro. José do Patrocíno compareceu às sessões preparatórias da instalação da Academia Brasileira de Letras e fundou a cadeira nº 21, que tem como patrono Joaquim Serra.

José Carlos do Patrocínio nasceu em Campos dos Goitacases (RJ) no dia 9 de outubro de 1853, filho de João Carlos Monteiro e de Justina Maria do Espírito Santo. Seu pai era vigário da paróquia de Campos, orador da Capela Imperial, venerável da loja maçônica Firme União e dignitário das ordens da Rosa e de Cristo, Sua mãe era negra e exercia o ofício de quitandeira na mesma cidade. Patrocíno teve seu nome escolhido como homenagem a Nossa Senhora do Patrocínio. Seu pai não reconheceu a paternidade, mas o levou para sua fazenda. Desde pequeno, o menino assistia aos castigos severos impostos às pessoas escravizadas.

Passou a infância na fazenda paterna da Lagoa de Cima, onde pôde observar, desde criança, a situação dos escravos e assistir a castigos que lhes eram infligidos. Por certo nasceu ali a extraordinária vocação abolicionista. Tinha 14 anos quando, tendo recebido apenas a educação primária, foi para o Rio de Janeiro. Lá, trabalhou como servente de pedreiro na instituição de caridade Santa Casa de Misericórdia. Aos 21 anos, formou-se em farmácia, porém nunca atuou na área.

Com a formatura, deixou de morar com os colegas e foi acolhido na casa da mãe de um amigo, no bairro carioca de São Cristóvão. Ela era casada com um capitão, chamado Emiliano Rosa Sena. O capitão Sena aceitou-o como hóspede, desde que Patrocínio desse aulas particulares para seus filhos. Foi assim que ele conheceu Bibi (Maria Henriqueta Sena), uma das filhas do casal. Ele se apaixonou pela moça, e os dois se casaram anos depois, em 1881. Desse casamente nasceram cinco filhos, duas meninas – que faleceram antes dos dois anos de idade – e três meninos: Tinon, que desapareceu quando criança, Maceu e Zeca, que seguiu os passos do pai
tornando-se jornalista.

Patrocínio iniciou suas atividades no jornalismo com Os Ferrões, periódico mensal em formato de panfleto que lançou em 1º de junho de 1875 junto com o doutor Demerval da Fonseca e que circulou até outubro do mesmo ano, totalizando dez números. Em 1877, passou a trabalhar na Gazeta de Notícias a convite do dono do jornal, Ferreira Araújo. Ali ficou responsável pela crônica política, assinando sob o pseudônimo Phudhome a coluna
“Semana parlamentar” – além desse pseudônimo, ao longo de sua carreira jornalística e literária utilizaria outros, como Notus Ferrão, Justino Monteiro, Pax Vobis e Pombos Correios. Em 1881 comprou o jornal Gazeta da Tarde com dinheiro emprestado do sogro, colocando o periódico exclusivamente a serviço da luta pela abolição.

Patrocínio teve um papel importante na luta contra a escravidão. Não só escrevia artigos em defesa do abolicionismo como também ajudava muitos negros a fugir ou a comprar a alforria (liberdade). Em 7 de setembro de 1880, Joaquim Nabuco, outro conhecido abolicionista, criou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão (SBCE) em parceria com José do Patrocínio e o engenheiro André Rebouças com o propósito de lutar contra a escravidão no Brasil. Em 1883, ele fundou a Confederação Abolicionista, que reunia todas as organizações abolicionistas do país. A revolução se iniciara. “E a revolução se chama Patrocínio”, diria Joaquim Nabuco. Em viagem à Europa, divulgou a causa da abolição da escravatura no Brasil.

Ao mesmo tempo em que militava pela libertação das pessoas escravizadas, Patrocínio também reivindicava que o Brasil fizesse uma reforma agrária (ou seja, uma redistribuição das terras). Para ele e outros abolicionistas, os ex-escravos só conseguiriam começar uma vida nova se tivessem terras onde morar. A escravidão foi oficialmente abolida com a assinatura da Lei Áurea em 1888, mas a reforma agrária nunca aconteceu.

No período em que José do Patrocínio viveu, o Brasil deixou de ser uma monarquia e virou uma república. A proclamação da república aconteceu em 1889, cerca de um ano e meio após a abolição da escravatura. Patrocínio, segundo diversas fontes, era a favor da república. Porém, depois da abolição, ele passou a ter uma grande admiração pela princesa Isabel (representante da monarquia), por ter sido ela quem assinou a Lei Áurea, por isso ele era acusado de ser um “isabelista” pelos republicanos. Por causa disso, muitos na época começaram a vê-lo como defensor da monarquia.

Além disso, nos primeiros anos da república, Patrocínio entrou em conflito com o governo de Floriano Peixoto, o que fez com que ele fosse perseguido e mandado para o Cucuí, no alto rio Negro (AM), onde ficou exilado durante mais de um ano. Por causa desses e de outros acontecimentos, os historiadores nem sempre concordam se Patrocínio foi sobretudo republicano ou monarquista.

José do Patrocínio foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Ele escreveu os romances Mota Coqueiro ou a pena de morte (1887), que conta de maneira ficcional a história de um crime real; Os retirantes (1879), que retrata a seca no Nordeste do Brasil; e Pedro Espanhol (1884), que traz duas histórias ligadas por um personagem em comum.

A participação de José do Patrocínio na vida política diminuiu com o tempo. Ele tinha grande interesse pelas novidades tecnológicas de sua época e, em seus últimos anos, dedicou-se a projetos nessa área. Após sua estada em Paris, em 1892, Patrocínio trouxe ao Brasil o primeiro automóvel a gasolina. Em seguida, passou a trabalhar em diversos aparelhos. Ele tinha interesse especial pelo voo. Seu projeto mais conhecido é o dirigível chamado Santa Cruz. Patrocínio dedicou-se intensamente a essa ideia, mas o dirigível nunca terminou de ser construído.

José do Patrocínio, que sofreu constantes ataques racistas durante sua vida pública, foi particularmente atingido por esse tipo de injúria na ocasião de seu casamento por sua esposa ser branca. Em seus últimos anos, ele teve uma situação financeira difícil. A miséria bateu-lhe à porta e Patrocínio mudou-se para um barracão no subúrbio.

Em 1903, por ocasião das homenagens a Santos Dumont, que desembarcou no Rio de Janeiro em 7 de setembro, ao terminar um discurso de saudação ao aviador brasileiro, Patrocínio foi acometido de uma crise de hemoptise, consequência da tuberculose. O agravamento da doença levou-o à morte, em sua casa, em 29 de janeiro de 1905, aos 51 anos. Sua luta pela liberdade dos escravos faz dele um dos personagens mais importantes do final do segundo reinado e começo da República. 👏👏👏👏👏👏

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🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

📝 Fontes consultadas:

💻 Site da Academia Brasileira de Letras
📚 Enciclopédia Britannica Escola - Versão WEB
🗄️ Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil - CPDOC-FGV (adaptados)

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