quinta-feira, 17 de março de 2022

HOJE NA HISTÓRIA - 17.03.22 - 101 Anos do Nascimento do Compositor Antônio Maria

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📻 Recife, 17 de março de 1921. Rua da Aurora, nº 9, Boa Vista. No sobrado do usineiro Rodolpho Araújo, há 101 anos, nascia um menino gorducho de cor morena, que duas décadas mais tarde se tornaria um dos mais destacados personagens da vida cultural da Capital da República, o Rio de Janeiro, por sua atuação na imprensa escrita, no rádio, na televisão e na música popular brasileira. Seu nome: ANTÔNIO MARIA ARAÚJO DE MORAIS

Tendo deixado cerca de 3 mil crônicas publicadas no jornal (morreu inédito em livro), em muitas se abriu publicamente para os leitores como poucos cronistas, revisitando num misto de autobiografia e autoficção momentos vividos no Recife e nos engenhos da família e a vida na capital pernambucana nos anos 1930 e 40. Sua relação era tão forte a ponto de começar os seus três frevos clássicos falando da saudade pela cidade onde nasceu: 

🎶“Ai, ai, saudade/Saudade tão grande/ Saudade que sinto/Do Clube das Pás, do Vassouras trançando tesouras/Nas ruas repletas de lá”(Frevo nº 1)
🎶“Ai que saudade vem do meu Recife/Da minha gente que ficou por lá/ Quando eu pensava, chorava, falava/ Dizia bobagem, marcava viagem/ Mas não resolvia se ia/ Vou-me embora/Vou-me embora pra lá” (Frevo nº 2)
🎶“Sou do Recife,/ com orgulho e com saudade/Sou do Recife/ com vontade de chorar” (Frevo nº 3).

Mas o sucesso veio ao embalar corações desesperados com suas letras de amor sofridas, sendo o autor de clássicos do samba-canção como Ninguém Me Ama, Canção da Volta, Aquela Rosa, Suas Mãos, Onde Anda Você, Menino Grande. É autor de Valsa de uma Cidade, exaltado como um dos mais belos hinos ao Rio de Janeiro (parceria com Ismael Neto) e do samba Manhã de Carnaval, uma das músicas brasileiras mais regravadas no exterior, feita com Luiz Bonfá para o filme Orfeu Negro, do diretor francês Marcel Camus, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes.

Um dos salários mais bem pagos do rádio, diretor artístico, produtor, redator, apresentador, Antônio Maria liderou a audiência nos horários mais nobres da época de ouro do rádio, trabalhando nas rádios Clube (de Recife), Tamoio, Tupy e Mayrink Veiga, escrevendo programas musicais, alguns levando seu nome como assinatura, e de humor (Alegria da Rua, depois Rua da Alegria, é um deles), dividiu também com Ary Barroso jornadas antológicas de transmissões de futebol (incluindo a fatídica derrota para o Uruguai, na final da Copa do Mundo de 1950 – foi Maria quem narrou o gol de Ghiggia), além de ser pioneiro na televisão.

Como jornalista com passagem por O Jornal, Diário Carioca, O Globo, Última Hora, revistas Manchete e A Semana, Maria é mais lembrado por sua vida boêmia regada a uísque e fumaça nas desregradas noites do Rio, nas quais conviveu com os principais jornalistas, intelectuais, cantores, compositores e artistas do rádio (e, depois, da incipiente televisão brasileira), além de ter frequentado o café society da época.

Não à toa, o Menino Grande (título do seu primeiro samba-canção de sucesso) é apontado como sendo o melhor cronista de Copacabana, umbigo do mundo onde morou, montou ponto de escuta num bar (Pavão Azul) e numa distrito de polícia (retratando o submundo do bairro que era cartão-postal do Brasil), e tombou, vítima de mais um infarto, desta vez fulminante, na calçada do Le Rond Point, na rua Fernando Mendes, onde morava, aos 43 anos, na madrugada do dia 15 de outubro de 1964.

Antônio Maria dá nome à principal escola do bairro de Rio Doce (Olinda), inaugurada em 1974, a "Escola Polivalente Compositor Antônio Maria" de onde saíram nomes como o cantor Chico Science, o ex-secretário de Educação do Estado de pernambuco Anderson Leônidas, e a ex-vereadora de Olinda Mônica Ribeiro. Ele é também um dos homenageados do "Circuito da Poesia", com uma estátua na rua do Bom Jesus no Recife Antigo. Sua obra permanece imortal e atemporal. Grande e singela, mas sobretudo bela. Viva o poeta e escritor Antônio Maria!!! 👏👏👏👏👏👏

#101anosdonascimentodocompositorantoniomaria
#historiadaartebrasileira

🧭 Concepção e elaboração do post 📝José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

📖 Créditos do texto 🖊️ Marcelo Pereira (jornalista) * O último parágrafo é de nossa autoria. 🙂

⏳#muitahistoriapracontar⌛

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