sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

HOJE NA HISTÓRIA - 24.12.21 - 107 Anos da Trégua de Natal na Primeira Guerra Mundial

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👮🏽‍♂️🏳️ Em meio à Primeira Guerra Mundial uma cena inusitada aconteceu na terra de ninguém, espaço entre duas trincheiras inimigas: uma trégua, que entraria para a História com o nome de "Milagre do Natal" ou Weihnachtsfrieden para os alemães. Na verdade, aconteceram várias dessas tréguas em 1914 (nos anos seguintes também, mas em menos intensidade), mas as mais famosas aconteceram em Ypres na França e em Flandes na Bélgica. Em comum nessas tréguas estava o encontro de soldados exaustos, famintos e castigados pela guerra suja travada nas trincheiras, cheias de lama, doenças e cadáveres. Franceses, alemães e britânicos trocaram presentes, entoaram juntos canções de natal no idioma de seus países, enterraram seus mortos e fizeram até alguns jogos de futebol (um deles com a vitória alemã de 3 × 0 sobre os britânicos numa partida que terminou porque a bola furou nos arames das trincheiras).

De tão fantástico que parece, o enredo da "Trégua de Natal" foi parar também no mundo da ficção. Em 2005, o diretor francês Christian Carion lançou o filme "Joyeux Noël" ("Feliz Natal", no Brasil), que conta essa história. O episódio também já rendeu referências em várias animações e séries. A música e o videoclipe de "Pipes of Peace", canção que dá título ao quinto álbum de estúdio da carreira solo do ex-Beatle Paul McCartney, lançado em 1983, também foram inspiradas na passagem. O tema foi revisitado neste ano de 2021 pela banda sueca Sabaton em seu single “Christmas Truce”, um épico do rock carregado de emoção natalina.

A trégua não foi bem vista pelos comandantes que viram nisso o perigo de uma sublevação em massa dos soldados contrários à continuidade do conflito. A trégua teve fim em 1° de janeiro de 1915 quando recomeçaram as hostilidades. A Primeira Guerra Mundial se estendeu até 1918 e deixou um saldo de 10 milhões de mortos e uma Europa destroçada. A aliança encabeçada pela França, com o apoio dos Estados Unidos saiu-se vencedora do conflito. 🇩🇪⚔️🇫🇷

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🧭 Concepção e elaboração do post 📝José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

HOJE NA HISTÓRIA - 23.12.21 - 199 Anos da Morte de Frei Galvão

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✝️😭⚰️ Num dia como hoje, 23 de dezembro, morria em São Paulo, o primeiro brasileiro canonizado pela Igreja Católica: FREI GALVÃO. São famosas as pílulas de Frei Galvão, pequeninos papéis, escritos com versículos da Bíblia, dobrados e ingeridos pelos fieis e  segundo relatos essas pílulas realizaram vários milagres em seus seguidores.

Antônio de Sant'Ana Galvão nasceu em Guaratinguetá, no interior do Estado de São Paulo. Filho de Antônio Galvão de França, Capitão-mor, pertencia a Ordem Terceira de São Francisco e a Ordem do Carmo. Se dedicava ao comércio e era conhecido pela sua particular generosidade. A mãe, Isabel Leite de Barros, teve onze filhos e morreu com apenas 38 anos de idade com fama de grande caridosa.

Frei Galvão viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, seus pais gozavam de prestígio social e influência política. Viviam num ambiente profundamente religioso. Com a idade de 13 anos, foi para a Vila de Belém de Cachoeira, no Recôncavo baiano, a fim de estudar no Seminário dos Padres Jesuítas, onde já se encontrava seu irmão José.

Permaneceu na Bahia de 1752 a 1756, com notáveis progressos no estudo e na prática da vida cristã. Seu pai, preocupado com as ações do Marques do Pombal, contra os jesuítas, aconselhou o Frei a viver com os Frades Menores Descalços de São Pedro de Alcântara, do Convento em Taubaté, próximo a Guaratinguetá.

Aos 21 anos, no dia 15 de abril de 1760, ingressou no noviciado do Convento de São Boaventura, na Vila de Macacu, no Rio de Janeiro. Durante o noviciado distinguiu-se pela piedade e pela prática das virtudes.

No dia 16 de abril de 1761, fez o juramento dos Franciscanos, de se empenhar na defesa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, doutrina ainda controvertida, mas aceita e defendida pela Ordem Franciscana. Um ano depois foi admitido à ordenação sacerdotal, em 11 de julho de 1762. Depois de ordenado foi mandado para o Convento de São Francisco em São Paulo, com a finalidade de aperfeiçoar os estudos de filosofia e teologia como também de exercitar-se no apostolado.

Sua maturidade espiritual teve sua expressão máxima na "entrega a Maria" como o seu "filho e escravo perpétuo". Terminado os estudos, em 1768, foi nomeado Pregador, Confessor dos Leigos e Porteiro do Convento, cargo este considerado importante porque pela comunicação com as pessoas permitia fazer um grande apostolado, ouvindo e aconselhando a todos.

Foi confessor estimado e muitas vezes, quando era chamado, ia a pé mesmo aos lugares distantes. Em 1769 foi designado Confessor de um Recolhimento de piedosas mulheres, as "Recolhidas de Santa Teresa" em São Paulo. Neste Recolhimento, encontrou Irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa de profunda oração e grande penitência, observante da vida comum, que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento. Frei Galvão, como confessor, ouviu e estudou tais mensagens e solicitou o parecer de pessoas sábias e esclarecidas, que reconheceram tais visões como válidas.

A data oficial da fundação do novo Recolhimento é 2 de fevereiro de 1774. Irmã Helena queria modelar o Recolhimento segundo a Ordem Carmelitana, mas o Bispo de São Paulo, franciscano e defensor da Imaculada, quis que fosse segundo a das Concepcionistas aprovadas pelo Papa Júlio II, em 1511. A fundação passou a se chamar "Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência", hoje Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz das Irmãs Concepcionistas, conhecido como Mosteiro da Luz, na cidade de São Paulo, sendo Frei Galvão, seu fundador.

No dia 23 de fevereiro de 1775 morre a Irmã Helena. Durante quatorze anos (1774-1788) Frei Galvão cuidou da construção do Recolhimento. Outros quatorze (1788-1802) dedicou-se à construção da Igreja, inaugurada em 15 de agosto de 1802. A obra é atualmente, por decisão da UNESCO, "Patrimônio Cultural da Humanidade".

Frei Galvão, além da construção e dos encargos especiais dentro e fora da Ordem Franciscana, deu muita atenção e o melhor de suas forças à formação das Recolhidas. Para elas escreveu um regulamento ou Estatuto, excelente guia de vida interior e de disciplina religiosa. O Estatuto é o principal escrito, o que melhor manifesta a personalidade do Servo de Deus. Então o Bispo de São Paulo acrescentou ao Estatuto a permissão para as Recolhidas emitirem os votos enquanto permanecessem na casa religiosa.

Em 1781, foi nomeado Mestre do noviciado de Macacu, Rio de Janeiro. O Bispo, porém, que o queria em São Paulo, não fez chegar a ele a carta do Superior Provincial. Frei Galvão foi nomeado Guardião do Convento de São Francisco em São Paulo, em 1798 e reeleito em 1801. Tornou-se Guardião sem deixar a direção espiritual das Recolhidas. Em 1811, a pedido do Bispo de São Paulo, fundou o Recolhimento de Santa Clara em Sorocaba, também no Estado de São Paulo. Ali permaneceu onze meses para organizar a comunidade e dirigir os trabalhos iniciais da construção da Casa.

Voltou para São Paulo, onde permaneceu 10 anos, no Recolhimento da Luz. Durante sua doença, Frei Antônio passou a morar num "quartinho" atrás do Tabernáculo, no fundo da Igreja, graças a insistências das religiosas, que desejavam prestar-lhe algum alívio e conforto.

Antônio de Sant'Ana Galvão morreu no dia 23 de dezembro de 1822. A pedido das religiosas e do povo, foi sepultado na Igreja do Recolhimento que ele mesmo construíra. O seu túmulo é lugar de peregrinação dos fiéis, que pedem e agradecem graças por intercessão do "homem da paz e da caridade", e fundador do Recolhimento de Nossa Senhora da Luz.

Frei Antônio de Sant'Ana Galvão foi beatificado pelo Papa João Paulo II no dia 25 de outubro de 1998 e canonizado pelo Papa Bento XVI, durante sua visita ao Brasil, no dia 11 de maio de 2007. Até hoje é venerado e lembrado pelos fiéis que pedem e agradecem graças por intercessão do "homem da paz e da caridade". 🙏🛐🙏

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🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

📖 Créditos do texto: COHEN, Marleine. Frei Galvão: A História do Primeiro Santo Brasileiro. São José dos Campos: Benvirá, 2013. (adaptado) 

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HOJE NA HISTÓRIA - 23.12.21 - 385 Anos do Nascimento de Gregório de Matos

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🎉📚  Num dia como hoje, 23 de dezembro, há 385 anos, nascia em Salvador na Bahia um poeta marcado pelo espírito crítico e libertário, por isso chamado de “Boca do Inferno”, ou de “Boca de Brasa” pelos seus desafetos. Entretanto o rebelde GREGÓRIO DE MATOS também é visto como como o fundador da literatura brasileira, bem como seu maior satírico, seu primeiro grande poeta e humorista.

Gregório de Matos e Guerra era seu nome completo. Nasceu em em 23 de dezembro de 1636 (ou, segundo algumas fontes, em março de 1623), filho do português Gregório de Matos, proprietário de terras e engenhos, e de Maria da Guerra, uma família com boa situação financeira. Era irmão do padre Eusébio de Matos.

Estudou humanidades no Colégio dos Jesuítas, na Bahia. Em 1661, formou-se em direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e casou-se com Micaela de Andrade. A partir daí, assume alguns funções jurídicas no governo português. Juiz muito bem estabelecido em Lisboa, Gregório de Matos teria caído em desgraça por fazer versos satíricos sobre a corte portuguesa. Em 1682 foi nomeado por D. Pedro II tesoureiro mor da Sé.

Em 1683, voltou à Bahia. Gregório de Matos às vezes, era o advogado dos pobres, sem cobrar nada. Sua vida começou a mudar em seguida, após seu desentendimento com o arcebispo na Bahia –a quem Gregório de Matos deveria se reportar –e foi destituído do cargo. A partir de então, ele começa a satirizar em seus poemas a Igreja, os costumes e a cidade de Salvador. Desenvolve uma poesia corrosiva, erótica/pornográfica e, por conta disso, foi colecionando inimizades.

Gregório trocou os cargos recebidos do arcebispo pela vida boêmia, cantando versos ao som da viola. Na época colonial, a imprensa era proibida no Brasil pela corte portuguesa. Assim, seus poemas passavam de mão em mão através de manuscritos, o que dificulta conhecer melhor sua vida e sua obra.

A poesia de Gregório de Matos, cheia de humor, manifestava sentimentos populares de resistência aos exploradores, aos hipócritas e aos aproveitadores. Por isso, escandalizava e desagradava aos poderosos. Gregório de Matos passou a receber ameaças. Em 1685, Gregório foi denunciado à Inquisição. Em 1694, foi ameaçado de morte pelos filhos do governador, que o exilou em Angola. Lá, ele ajudou o governo local a combater uma conspiração militar e recebeu a permissão de voltar ao Brasil. Em 1695, permitiram-lhe viver em Recife.

Gregório de Matos criou poesia lírica (amorosa, retomando o estilo do Renascimento), satírica, graciosa, religiosa e erótica. Era barroco — seu texto era cheio de adornos e preciosidades, contradições e ambiguidades — e uniu o sagrado e o profano, “carnavalizando” a poética brasileira.

Suas Obras só começaram a ser impressas em 1923, pela Academia Brasileira de Letras (da qual é patrono da cadeira número 16). São seis volumes, nos quais foram reunidas suas poesias sob os títulos Sacra (vol. I), Lírica (vol. II), Graciosa (vol. III), Satírica (vols. IV e V) e Última (vol. VI, com poemas variados).

O "Boca do Inferno" terminou seus últimos dias em Recife, onde veio a falecer no dia 26 de novembro de 1695, vítima de uma febre contraída na África. Arrependido e reconciliado com a igreja, na hora da morte compôs um Soneto a Jesus Cristo. O maior poeta do Barroco brasileiro deixou uma obra que até hoje serve como um deleite para os amantes da boa poesia. Um deles, Polís, que descreve o Recife foi musicado pelo compositor pernambucano André Mussalem e pode ser ouvido nas principais plataformas de streaming.📱🎼 🎧 🎼📱

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🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

📖 Créditos do texto:

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

HOJE NA HISTÓRIA - 22.12.21 - 18 Anos do Estatuto do Desarmamento

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📃👨‍⚖️ Num dia como hoje, 22 de de dezembro, há exatamente 18 anos, era sancionada pelo então presidente Luís Inácio Lula da Silva, a Lei 10.826 de 2003 que ficou conhecida como ESTATUTO DO DESARMAMENTO. A lei tinha como objetivo reduzir a circulação de armas e estabelecer penas rigorosas para crimes como o porte ilegal e o contrabando. A regulamentação do estatuto ocorreu por meio de um decreto em 1º de junho de 2004.

O estatuto do desarmamento, cujas origens estão no projeto de lei nº 292, de autoria do senador Gerson Camata (que curiosamente foi baleado por um homem que vinha numa motocicleta enquanto caminhava por uma rua na região da Praia do Canto, em Vitória, Espírito Santo, vindo a falecer em 26 de dezembro de 2018) ficou em discussão durante diversos anos até ser aprovado pelo Congresso e sancionado pelo então presidente Lula, em 2003.

Lula e diversas ONGs, como o Instituto Sou da Paz e a Viva Rio, diziam que o estatuto ajudaria a reduzir a violência e a interromper as fontes de abastecimento do crime organizado. A ideia principal que norteou a sua elaboração foi a de que, ao desarmar a população, há menos homicídios e acidentes, bem como menos armas em posse de criminosos.

Defensores do estatuto afirmam que a política de desarmamento ajuda as forças públicas a combater o crime e controla a quantidade de armas em circulação no país. Já os críticos ao desarmamento afirmam que os dados de homicídios no Brasil não diminuíram com o estatuto. Além disso, afirmam que faltam pontos objetivos para determinar o que seria a “efetiva necessidade” de ter uma arma.

Em outubro de 2005, como já estava previsto em dezembro de 2003, o Brasil realizou um referendo para consultar a população sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição, um dos trechos abordados no estatuto. A pergunta feita, na época, foi: O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil? As alternativas eram "não" (contra a proibição) e "sim" (a favor da proibição). O eleitor do "não" digitou o número 1, e o eleitor do "sim", o número 2.

Na ocasião, a maioria dos eleitores (63,68%) se manifestou contra o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento, que proibia a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, exceto para Forças Armadas, polícias e empresas de segurança privada. O "não" venceu em todos os estados e teve a maior vantagem em relação ao "sim" no Rio Grande do Sul.

Mesmo com a população tendo se manifestado contra a proibição da comercialização, porém, o estatuto se manteve com maiores restrições à aquisição de armas de fogo. Desde 2003, o estatuto sofreu alterações em seu texto, sendo as principais as lei 11.706 de 2008, especialmente no trecho que aborda a posse de armas para residentes em áreas rurais.

Prioridade de campanha do presidente Jair Bolsonaro, a facilitação do acesso a armas de fogo é uma das principais pautas defendidas por ele e seus apoiadores. Um dos principais avanços do governo nesse sentido foi o decreto N° 10.629 de 12 de fevereiro de 2021 que entraram em vigor no dia 13 de abril, porém a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, decidiu suspender 13 dispositivos, em resposta a cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade. Na ocasião da edição dos decretos com as mudanças, o presidente Jair Bolsonaro defendeu o direito de armamento das pessoas. "Em 2005, via referendo, o povo decidiu pelo direito às armas e pela legítima defesa", escreveu nas redes sociais. 👉🔫⚰️😭

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#VidasSimArmasNao

🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

📖 Créditos do texto:

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🖱️ Portal do Senado Federal (adaptados) 🙂

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HOJE NA HISTÓRIA - 22.12.21 - 33 Anos do Assassinato de Chico Mendes

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👊🏼 Quando nem se falava em desenvolvimento sustentável, ele já lembrava que não precisamos destruir a natureza para tirar proveito econômico dela. Numa época em que seringueiros eram explorados pelos grandes fazendeiros locais e que grileiros e indígenas disputavam cada pedaço de chão amazônico, na maioria das vezes regado com sangue, ele foi um dos primeiros a organizar os seringueiros em sindicato e reunir os povos da floresta em torno da causa ambientalista. Seu nome entraria para a História: CHICO MENDES!. Mas seu destino não seria diferente de centenas de mártires espalhados pela América Latina que mesmo sabendo dos riscos, não hesitaram em dar sua vida em prol de uma causa que acreditavam. Na noite de 22 de dezembro de 1988, uma semana após seu aniversário, Chico foi covardemente assassinado a tiros de espingarda calibre 20 disparados por Darci Alves a mando de seu pai Darly Alves, um grileiro envolvido em conflitos de terra; posteriormente ambos foram condenados a 19 anos de reclusão pelo crime cometido. Como Chico havia predito sua morte não calaria os povos que ele defendera em vida. Ainda hoje seu nome é lembrado como símbolo de luta dos povos da Amazônia, que vivem dos recursos da floresta, e sabem bem que do equilíbrio entre homem e natureza depende o futuro da humanidade (uma espécie de árvore recém-pesquisada receberá o nome dele em sua homenagem - a Sterculia Chicomendesli, popular Axixá). E Chico Mendes se juntaria a plêiade de heróis que tombaram pela sua gente: Wilson Pinheiro, Margarida Alves, padre Josino Tavares, irmã Dorothy Stang, e tantos que morreram apenas por defender os pobres e excluídos. Trinta e dois anos depois ainda ecoam os versos imortalizados do Xote Ecológico gravado por Luís Gonzaga: "Cadê a Flor que estava aqui? Poluição Comeu! Nem Chico Mendes sobreviveu!" 🪵⚰️😭

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HOJE NA HISTÓRIA - 22.12.21 - 64 Anos do Museu da Abolição do Recife

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⏳🏫 Criado em 1957, o Museu da Abolição – Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira – está localizado no sobrado que foi sede do Engenho Madalena e residência do conselheiro abolicionista João Alfredo. O museu foi oficialmente inaugurado em 1983, com a exposição “O Processo Abolicionista Através dos Textos Oficiais”. Fechado em 1990, foi reaberto em 1996, no Dia do Patrimônio Cultural.

A proposta de criação do Museu da Abolição foi elaborada pelo professor Martiniano Fernandes e encaminhada ao Senado Federal, através do Senador Joaquim Pires, como Projeto de Lei nº 39, de 14 de maio  de 1954, sendo sancionada pelo pelo presidente Juscelino Kubitscheck, num dia como hoje, 22 de dezembro, há 64 anos.

O acervo dispõe de peças do cotidiano de senhores e escravos, desde objetos ligados ao sincretismo religioso até aqueles utilizados no tráfico negreiro. Atualmente o MAB conta com 130 peças do acervo museológico, 30 metros lineares de acervo bibliográfico e 2 metros lineares de acervo hemerográfico. O Museu da Abolição possui uma ampla área externa de 5 180,50 m², que contém teatro de arena, camarins, banheiros e estacionamento, onde são desenvolvidas atividades artísticas e culturais. 

Atualmente está vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e ao Ministério da Cultura, e é um dos raros museus no país a contemplar esta parte da história afro-brasileira. 👏🏽👏🏾👏🏿

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HOJE NA HISTÓRIA - 22.12.21 - 228 Anos do Nascimento de Pedro de Araújo Lima

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🎂🎉 Num dia como hoje, 22 de dezembro, há 228 anos, nascia no Engenho Antas (PE), distrito de Serinhaem, Pernambuco, o político mais influente do País durante o Segundo Reinado. Estamos falando de PEDRO DE ARAÚJO LIMA, que durante sua carreira política exerceu importantes cargos públicos. Foi Senador, Regente, Ministro do Império, Ministro da Justiça, Ministro da Fazenda e dos Estrangeiros, Presidente do Conselho de Ministros e Conselheiro do Estado.

Pedro de Araújo Lima era filho do capitão Manoel de Araújo Lima e de Anna Teixeira Cavalcanti, ambos da mais fina aristocracia açucareira de Pernambuco. Descendente em linha reta da família dos Barbosas Correia de Araújo, de Ponte de Lima, na Província do Minho em Portugal, que se passaram para Pernambuco com o donatário Duarte Coelho, e que, trazendo consigo os seus haveres, se foram estabelecer nas terras das Alagoas, sendo eles os seus primeiros povoadores e que se espalharam, nos primeiros tempos do Brasil, por Pernambuco e pela Bahia.

Na juventude, estudou no Seminário de Olinda, então o melhor centro de ensino do Brasil, e em 1813 foi cursar Direito em Coimbra, a única universidade do Reino. De volta à sua terra, em 1819, foi logo nomeado ouvidor. Então, os lusos se levantaram contra o poder absoluto de D. João VI, em 1820, na Revolução Liberal do Porto. E Araújo Lima iniciou sua carreira política como um dos representantes de Pernambuco nas “Cortes”, uma assembleia de deputados de todo o Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves, reunida em Lisboa. Em 1821 ele propôs às Cortes de Lisboa a criação de uma biblioteca pública no Recife e de escolas de primeiras letras em todas as paróquias do Reino. 

Nas cortes portuguesas, em 1821, concordou em assinar a Constituição, considerada perigosa aos interesses do Brasil, uma vez que os portugueses, em ampla maioria, tentavam suprimir algumas vantagens adquiridas pelo Brasil após a mudança de D. João para o Rio de Janeiro, em 1808, tal como a liberdade de comércio e a elevação do Brasil a Reino Unido de 1815. Quando regressou ao Brasil, no dia 30 de abril de 1823, já estava eleito para a Assembléia Constituinte convocada por D. Pedro I.

Quando Araújo voltou, em 1823, foi eleito deputado por Pernambuco à Assembleia Nacional Constituinte, reunida naquele ano, no Rio de Janeiro. D. Pedro I, contudo, logo fechou aquele congresso, à força. E enquanto perseguia seus adversários políticos, convidou o serinhaense a fazer parte do seu ministério; mas ele pediu demissão, alegando ser muito jovem e inexperiente para o cargo, e partiu novamente para a Europa.

De volta à sua terra, Araújo Lima dirigiu o curso de Direito de Olinda, um dos dois primeiros do Brasil, criado juntamente com o de São Paulo, em 1827. Mas logo foi novamente eleito deputado, e nos dez anos seguintes presidiu por quatro vezes a Assembleia Nacional, além de comandar os ministérios do Exterior e da Justiça, até se tornar senador, em 1837. Ainda naquele ano, Araújo ajudou a criar o Partido Conservador, a primeira agremiação política de âmbito nacional.

No período da Regência, com a renúncia de Feijó, Araújo Lima conseguiu se eleger regente interino em 18 de setembro de 1837 e em seguida, efetivo em 22 de abril de 1838. Ao assumir o poder, Araújo Lima montou um ministério composto apenas por políticos conservadores. Seu governo decidiu usar toda a violência possível para acabar com as revoltas políticas populares que agitavam o país (Cabanagem, Balaiada, Sabinada, Farroupilha, etc.). Os regressistas diziam que a descentralização do poder era responsável pelas agitações. Por isso, foram criadas várias leis visando à centralização, como, por exemplo, a Lei Interpretativa do Ato Adicional, que reduzia o poder das províncias e colocava os órgãos da Polícia e da Justiça sob o comando do poder central.

Como a maioridade do imperador só seria atingida em 1843, aos 18 anos, Araújo Lima passaria cinco anos usufruindo de grande poder. Entretanto o Partido Liberal, criado para fazer frente ao Conservador, promoveu o “Golpe da Maioridade”, e o jovem D. Pedro II assumiu o trono aos 15 anos, em 1840. O que, na prática, não melhorou a situação do povo, já que os dois partidos eram controlados pelos produtores de café e açúcar. Na coroação de D. Pedro II, em 1841, Araújo Lima recebeu o título de Visconde de Olinda e em 1854 foi elevado para Marquês.

Araújo Lima era um político com idéias conservadoras e grandes habilidades, mantinha fortes ligações com o poder. Foi chefe de gabinete por quatro vezes (1848, 1857, 1862 e 1865). Apesar de pernambucano viveu quase toda sua vida no Rio de janeiro. Foi oito vezes ministro de várias pastas, conselheiro de Estado durante 27 anos, Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, da Ordem da Rosa, Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial, detentor da Grã-Cruz da Ordem de Cristo do Brasil e da de Santo Estevão na Hungria, da Legião de Honra da França, a de São Maurício e São Lázaro na Itália, além da de N. S. de Guadalupe do México. Foi também fundador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), em 1838.

Pedro de Araújo Lima faleceu no dia 7 de junho de 1870., no Rio de Janeiro, onde viveu a maior parte da vida. Lá, tornou-se nome de rua, no bairro do Botafogo, e em Recife foi homenageado com uma importante avenida no bairro do Recife Antigo. A maioria dos livros de História esquecem e/ou se omitem de mencionar que o último regente brasileiro e o político mais importante do segundo reinado era PERNAMBUCANO. 👏👏👏

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#historiadapoliticanoimperiobrasileiro
#GrandesVultosPernambucanos

🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

📖 Créditos do texto:

🖱️ Site E-Biografia
🖱️ Agência Senado
🖱️ Blog Pernambuco, História e Personagens, elaborado por Paulo Santos de Oliveira (adaptados) 🙂

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