segunda-feira, 12 de outubro de 2026

HOJE NA HISTÓRIA- 12.10.26 - Morre o Cineasta Jomard Muniz de Britto

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✝️ LUTO 😞 A cultura pernambucana se despediu hoje, 12 de outubro, de um de seus maiores expoentes. Morreu nesta madrugada, aos 89 anos, poeta, cineasta, crítico, escritor, performer e agitador cultural JOMARD MUNIZ DE BRITTO, um dos nomes mais inquietos e transgressores da cultura brasileira. O artista estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Unimed Recife. Segundo a jornalista Terezinha Nunes, Britto enfrentava um quadro grave de infecção respiratória generalizada nos pulmões. O cineasta tinha doença de Parkinson e, nos últimos 20 dias, apresentou uma piora no estado de saúde.

Nascido em 8 de abril de 1937, na Rua Imperial, no bairro de São José, também na área central da capital pernambucana, Jomard era filho da pernambucana Maria Celeste Amorim, e era o primogênito e o único vivo entre cinco irmãos. Estudou no Ginásio Pernambucano e graduou-se e licenciou-se em Filosofia pela Universidade do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Estudou estética com Ariano Suassuna, com quem posteriormente teve divergências intelectuais, e, ao longo da carreira, lecionou disciplinas como introdução à filosofia, teoria do conhecimento e estética.

Começou a carreira como professor e integrou a equipe inicial do Sistema Paulo Freire de Educação de Adultos. No início dos anos 1960, se aproximou do cineasta baiano Glauber Rocha, que o convidou para passar uma temporada em Salvador. À Glauber, Jomard atribuía o despertar de seu interesse pela realização cultural.

Em Pernambuco, passou a se destacar pela circulação entre diferentes áreas, como filosofia, cinema, literatura e música, além de desenvolver atividades como agitador cultural no estado. Jomard integrou a equipe do Serviço de Extensão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a convite do educador Paulo Freire. Em maio de 1964, após o golpe militar, integrantes do grupo receberam rumores de que estavam na mira dos militares e de que ocorreriam prisões.

Naquele mesmo ano, Jomard foi preso e encaminhado ao Forte das Cinco Pontas, onde dividiu cela com o político Gregório Bezerra durante cerca de 20 dias. Aposentou-se precocemente da UFPE, onde atuava como professor, mas continuou dando aulas e palestras em cidades como Campina Grande e João Pessoa, na Paraíba.

Jomard é apontado como um dos precursores do tropicalismo em Pernambuco e participou da definição de algumas das bases do movimento. Em 1968, assinou, ao lado do músico Aristides Guimarães e do jornalista Celso Marconi, o primeiro manifesto tropicalista.

Realizador de filmes em Super-8 e de performances artísticas, Jomard participou ativamente da movimentação tropicalista no Nordeste, nos anos 1970. Ao longo da carreira, publicou dez livros, escreveu peças de teatro e realizou mais de 30 filmes e vídeos. Entre seus trabalhos audiovisuais estão Jogos Labiais Libidinais (1979), Inventário de um Feudalismo Cultural (1978, 12’), Alto Nível Baixo (1977, 6’), Discurso Classe Média (1977, 4’), e Palhaço Degolado (1976, 13’).

Em 2024, foi inaugurada na Fundação Joaquim Nabuco a exposição "Arrecife de Desejo: do Pau-Brasil à Pop Filosofia", dedicada a JMB, como era conhecido. A mostra reuniu parte de seu acervo iconográfico, audiovisual e poético, reafirmando sua importância para a história da contracultura e da arte. A abertura foi seguida de debate com especialistas culturais.

Em 2025, parte da obra de Jomard Muniz ganhou a tela do Cine São Luiz, com a exibição de cinco de seus filmes em Super-8 digitalizados e restaurados, durante o festival Janela Internacional de Cinema do Recife. Um bela e justa homenagem, que contou com a presença do cineasta na ocasião. A trajetória de Jomard foi retratada no livro "Jomard Muniz de Britto - Professor em transe", escrito por Fabiana Moraes e Aristides Oliveira e lançado em 2017, em celebração dos seus 80 anos.

O multiartista foi velado na Capela do Cemitério de Santo Amaro, onde, ao longo do dia, diversas personalidades da cultura pernambucana passaram pelo local para dar um último adeus ao artista. Foram os casos do produtor João Vieira Jr., que leu o manifesto tropicalista, movimento do qual Jomard foi o principal representante pernambucano, e do cineasta Kleber Mendonça Filho. Seu corpo foi sepultado no final da tarde no Cemitério de Santo Amaro, no centro do Recife.

Figura inquieta e transgressora, Jomard contribuiu para ampliar os horizontes da produção artística pernambucana, afirmando a potência da criação como espaço de reflexão, crítica e transformação. Seu legado inscrito na história das artes e do pensamento em Pernambuco, seguirá merecendo ser preservado, difundido e redescoberto pelas novas gerações. ✨️🎞️🖤👏👏👏

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#lutoporjomardmunizbritto 🥀
#adeusjomardmunizbritto 👋

🧭 Concepção e elaboração do post 📝José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

📖 Fontes consultadas para a postagem:

💻 Portais G1-Pernambuco e JC On-line
🖱️ Perfis da FUNDAJ e da FUNDARPE no Instagram
📰 Jornais Diário de Pernambuco e Folha de Pernambuco

👉 Para saber mais sobre Homero Fonseca, jornalista pernambucano que também morreu neste ano, acesse:


⏳#muitahistoriapracontar⌛

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