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terça-feira, 20 de agosto de 2024

HOJE NA HISTÓRIA - 20.08.24 - 245 Anos do Nascimento de Frei Caneca

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👦🍺 Era uma vez um garoto pobre, filho de um tanoeiro, que vendia canecas nas ruas do Recife. Seu nome era Joaquim. O menino pobre queria ser padre, mas sem posses, isso era bastante difícil no Brasil do final do século XVIII. Os carmelitas adotaram e patrocinaram a formação eclesiástica do então jovem Joaquim. O rapaz surpreendia pela inteligência e sagacidade e logo conseguiu concluir seus estudos e se formar sacerdote. Joaquim do Amor Divino Rabelo incluiu a palavra "caneca" em seu nome (lembrança dos tempos de pobreza) e virou FREI CANECA. Egresso do Seminário de Olinda e iniciado na Maçonaria na Loja Academia de Suassuna, Frei Caneca virou professor, escritor, jornalista e revolucionário. Esteve entre os revolucionários de 1817, mas acabou sendo preso e enviado para os cárceres na Bahia. Ao ser libertado, em 1821, um ano antes da Independência do Brasil, recomeçou a lutar pela independência republicana. Fundou um jornal, o Typhis Pernambucano, no qual publicava artigos em que criticava a dissolução da Assembleia Constituinte por D. Pedro I, em 1823, e a imposição da Constituição de 1824. Quando Manoel de Carvalho Pais de Andrade proclamou Confederação do Equador em 2 de julho de 1824 Frei Caneca aderiu ao movimento e se colocou como um de seus mais ardorosos defensores. Mesmo após a capitulação (rendição) em 17 de setembro de 1824, Frei Caneca liderou um Exército de resistência chamado Divisão Constitucional da Confederação do Equador. Após dois meses de lutas e escaramuças pelo interior nordestino, com seus 3000 soldados, Frei Caneca acabou entregando-se aos seus algozes em 29 de novembro na Fazenda do Juiz, de propriedade dos beneditinos. A comissão militar presidida por Francisco de Lima e Silva iniciou seus trabalhos em 20 de dezembro, e três dias depois sentenciava Frei Caneca à morte por enforcamento. A pena foi cumprida em 13 de janeiro de 1825, mas teve que ser comutada às presas, porque três carrascos se recusaram a matar o frei. Caneca acabou sendo arcabuezado (erroneamente se diz fuzilado) aos pés da força ao lado do Forte das Cinco Pontas no Recife. Seu corpo foi sepultado nas dependências da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em local até hoje desconhecido. Sua frase ainda hoje ecoa entre os libertários pernambucanos: "quem bebe de minha caneca, sente fome de liberdade". 📝💪👊

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🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

👉 Para saber mais sobre Frei Caneca, e a Confederação do Equador que este ano completou seu bicentenário, acesse:




⏳#muitahistoriapracontar⌛

sábado, 13 de janeiro de 2024

HOJE NA HISTÓRIA - 13.01.24 - 199 Anos da Execução de Joaquim do Amor Divino Rabelo - Frei Caneca

👊💪⚰️ 🧓 🔫 👮‍♂️👊

😓🖤 Num dia como hoje, 13 de janeiro, há 199 anos, era executado (por arcabuzamento) diante dos muros do Forte de São Tiago das Cinco Pontas, no Recife, FREI CANECA, jornalista, escritor, maçom, religioso carmelita e protagonista de dois principais movimentos revolucionários pernambucanos: a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador de 1824, da qual foi uma de suas principais lideranças. Condenado à morte por D. Pedro I, Frei Caneca gozava de tanta popularidade na província pernambucana que na ocasião da sua execução não houve carrasco que se prestasse a enforcá-lo.

Joaquim da Silva Rabelo nasceu em Recife no dia 20 de agosto de 1779, filho dos portugueses Domingos da Silva Rabelo e Francisca Maria Alexandrina de Siqueira que moravam em Fora de Portas, próximo do demolido Arco do Bom Jesus. Seu pai era tanoeiro – fabricava vasilhames de flandres –, daí viveu uma infância humilde, o que o levou a  vender canecas, quando garoto, nas ruas de Recife. Em 1796, aos 17 anos, tomou o hábito carmelita e aos 22, com licença do Núncio Apostólico de Lisboa ordenou-se padre passando a chamar-se Joaquim do Amor Divino, acrescentando o apelido Caneca, em homenagem a seu pai. Foi professor de retórica e geometria e depois de filosofia racional e moral, em Pernambuco e Alagoas.

Frei Caneca foi um dos grandes pensadores literários no momento da Independência brasileira. Vivia em Pernambuco quando da inquietação em torno da separação com Portugal e lugar onde a agitação era maior do que no resto do país. Muito combativo, lutava contra o despotismo (o poder absoluto e autoritário) e as relações de dependência que caracterizavam a situação colonial. No Recife, padres, militares e maçons uniam-se pela emancipação política do Brasil. Muitos viam o fim dos privilégios da metrópole, os pobres viam o fim da aristocracia ociosa, os mulatos ansiavam pelo fim do preconceito e os negros o fim da escravidão.

Frei Caneca foi iniciado na Loja Maçônica Academia de Suassuna e posteriormente filiado à Loja Academia do Paraíso (ambas ainda hoje em funcionamento) da qual se tornou assímio frequentador. Nela reuniam-se homens que lutavam contra o domínio português, influenciados por eventos como a independência dos Estados Unidos (1776) e a Revolução Francesa (1789).

Em 1817, Frei Caneca iniciou sua ação política com a Revolução Republicana em Pernambuco. Com o fracasso do movimento foi preso e enviado para Salvador, sendo libertado em 1821 pelo movimento constitucionalista de Portugal, regressando então a Pernambuco.

Escreveu, em 1822, “Dissertação sobre o que se deve entender por pátria do cidadão e deveres deste para com a mesma pátria” e, em 1823, “O caçador atirando à arara pernambucana” e as “Cartas de Pítia a Damão”.

Redige e publica, também em 1823, o Typhis Pernambucano, jornal de sua propriedade, do qual foi fundador e principal editor. O jornal era semanal e autofinanciado e um veículo usado por Frei Caneca para criticar a situação política do seu tempo e atingir as massas, esclarecendo-as sobre a defesa dos seus direitos.

Em 1824, tornou-se um dos conselheiros da junta de Manuel de Carvalho Paes de Andrade, opinando contra o reconhecimento de Francisco Paes Barreto como presidente de Pernambuco, a favor da invasão de Alagoas e contra o juramento da Constituição outorgada por D. Pedro I. Neste mesmo ano, as províncias do Norte se opõem ao poder imperial formando a Confederação do Equador. Frei Caneca foi um dos seus chefes, e após o seu fracasso, retirou-se para o interior, na companhia de parte das tropas, ocasião em que escreveu o “Itinerário”. Ainda em 1824, foi preso no Ceará e submetido a julgamento pela Comissão Militar.

Em 13 de janeiro de 1825, Frei Caneca foi fuzilado, sendo antes, despojado do hábito religioso na igreja do Terço, tendo três carrascos se recusado a enforcá-lo. A Comissão Militar, liderada pelo brigadeiro Francisco de Lima e Silva (pai do futuro Duque de Caxias), ordenou seu arcabuzamento. Seu corpo foi deixado num caixão de pinho em frente ao Convento das Carmelitas, no centro do Recife, de onde os frades o recolheram e enterraram em um local até hoje não identificado. O poeta e escritor João Cabral de Melo Neto descreveu, em versos, o último dia de Frei Caneca, em sua obra O Auto do Frade.

O muro contra o qual o religioso foi fuzilado, vizinho ao Forte das Cinco Pontas, continua de pé. O local está marcado uma placa alusiva, colocada pelo Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano em 1917 – o busto do frei que estava no local, foi roubado em 21 de agosto de 2022. A peça em bronze foi produzida pelo escultor Wamberto Jácome (considerado um dos maiores escultores clássicos do Brasil na época).

Anualmente, no dia de sua morte, são feitas celebrações para se lembrar seu martírio nesse local com a presença de autoridades, historiadores e membros da Maçonaria pernambucana. Da iconografia sobre Frei Caneca, a obra mais conhecida do público é "Execução de Frei Caneca", de Murillo La Greca. A seu respeito, refere o historiador Evaldo Cabral de Mello: "O homem que, na história do Brasil, encarnará por excelência o sentimento nativista era curiosamente um lusitano "jus sanguinis"." Frei Caneca lutou, acima de tudo, pela igualdade. “Quem bebe da minha "caneca" tem sede de liberdade! Bebamos e nos embriaguemos sem moderação dessa caneca libertária, inspiradora e profundamente revolucionária!!! 👊💪👊

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🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

👉 Para saber mais sobre Frei Caneca, e a Confederação do Equador que este ano completará seu bicentenário, acesse:




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