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quinta-feira, 16 de novembro de 2023

HOJE NA HISTÓRIA - 16.11.23 - 119 Anos da Revolta da Vacina

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💣💥😠 No início do século XX as ruas da cidade do Rio de Janeiro eram um amontoado de lixo, fezes jogadas pelas janelas e casebres amontoados, fazendo com que a o vírus da varíola, febre amarela e da peste bubônica,  juntamente com ratos e mosquitos matassem milhares de pessoas anualmente.

Rodrigues Alves, iniciou a construção de grandes obras públicas como o alargamento de ruas, avenidas e derrubada de casas, sacrificando as camadas mais pobres da cidade, que foram desalojadas sendo obrigados a mudar-se  para longe do trabalho e para os morros, incrementando a construção das favelas.

Nos morros para onde as populações se dirigiram existia uma planta muito utilizada no tratamento de inflamações em geral. “A favela” criando uma das origens do termo.

Para combater e auxiliar no extermínio dos ratos, o governo anunciou que pagaria a população por cada roedor que fosse entregue às autoridades. O resultado foi o surgimento de criadores tentando conseguir uma renda extra e devido a estas fraudes, o governo suspendeu a recompensa.

Num tempo onde as pessoas, principalmente as mulheres,  se vestiam cobrindo todo o corpo, mostrar os braços para tomar  vacina era visto como "imoral".

Agitadores incitavam a massa urbana a enfrentar os funcionários da Saúde Pública que, protegidos pelos policiais, invadiam as casas e vacinavam as pessoas à força. Os mais radicais pregavam a resistência à bala, alegando que o cidadão tinha o direito de preservar o próprio corpo e não aceitar aquele líquido desconhecido.

Em novembro de 1904 o centro do Rio de Janeiro foi transformado numa praça de guerra com bondes derrubados, edifícios depredados e muita confusão na Avenida Central. A revolta popular teve o apoio de militares e políticos contrários ao governo.

O movimento rebelde foi dominado pelo governo, que prendeu e enviou algumas pessoas para o Acre. Em seguida, a Lei da Vacina Obrigatória foi modificada, tornando facultativo o seu uso. 😒💉💪

#119anosdofinaldarevoltadavacina  #guerraserevoltasbrasileiras  #VacinasSalvamVidas

🧭 Concepção e elaboração do post 📝José Ricardo 🖋 professor e historiador.

👉 Para saber mais sobre a Revolta da Vacina, acesse:

💻 https://jrscommuitahistoriapracontar.blogspot.com/2021/11/hoje-na-historia-161121-117-anos-do.html

⏳#muitahistoriapracontar⌛






terça-feira, 16 de novembro de 2021

HOJE NA HISTÓRIA - 16.11.21 - 117 Anos do Final da Revolta da Vacina

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💣💥😠 A Revolta da Vacina (1904), que na verdade foi uma revolta contra a vacina, foi uma das revoltas urbanas mais importantes da chamada República Velha (1889-1930), e sacudiu durante seis dias a capital brasileira da época, que era o Rio de Janeiro. Um dos grandes desafios do presidente Rodrigues Alves era modernizar o centro urbano da cidade carioca, na época, tomada por vários cortiços na área central, que abrigavam uma população empobrecida e excluída da sociedade. A falta de saneamento e as parcas condições de moradia eram o antro perfeito para a proliferação de ratos, baratas, mosquitos e demais insetos; que facilitavam a transmissão de doenças como tuberculose, hanseníase, tifo, sarampo, difteria, coqueluche, febre amarela e peste bubônica. O Rio era conhecido pelos imigrantes que aqui aportavam como “túmulo dos estrangeiros”.

A proposta de reorganização do espaço urbano do Rio de Janeiro veio com fortes influências do higienismo europeu, e o prefeito da época, Francisco Pereira Passos (que passou para a História com o apelido de "O Bota Abaixo") priorizou a derrubada dos antigos cortiços (614 ao todo), sem no entanto, uma política habitacional para seus ex-moradores; mais de 14 mil pessoas ficaram desabrigadas, e se viram obrigadas a se deslocarem para os morros cariocas, onde proliferava uma planta conhecida como "favela" (Cnidoscolus quercifolius) muito usada como medicamento natural pelos habitantes.

O médico sanitarista Oswaldo Cruz (cuja população apelidou de "general mata-mosquitos") foi nomeado diretor de saúde pública e elegeu como prioridade combater a varíola com uma ampla campanha de vacinação, voltada principalmente para a população que havia sido expulsa dos cortiços da cidade e habitavam os morros e periferias. A ideia era até boa, mas a aplicação foi um desastre. Oswaldo Cruz criou as Brigadas Mata-Mosquitos, grupos de funcionários do Serviço Sanitário que, acompanhados de policiais, invadiam as casas para desinfecção e extermínio dos mosquitos transmissores da febre amarela. 

A gota d'água foi a decretação da vacinação obrigatória, lei sancionada por Rodrigues Alves no dia 31 de outubro de 1904, 
apelidada de “código de torturas”. A desinformação da população foi o terreno fértil para a oposição à Rodrigues Alves se valer de boatos mentirosos (chamaríamos hoje de fake news) sobre o local onde seria aplicada a vacina: próxima às partes íntimas; o que levou a maioria da população a apoiar o motim.

As ruas centrais e alguns bairros da cidade do Rio de Janeiro foram tomados por barricadas e trincheiras, a iluminação pública destruída, a população revoltada dirigiu sua fúria à delegacias, repartições públicas e inclusive ao comércio, em busca de armas, querosene e dinamite. Carros foram tombados, armadilhas e tocaias em becos e casas abandonadas foram feitas, e a ação policial não conseguia reprimir a revolta iniciada em 10 de novembro de 1904. O governo precisou recorrer, então, às tropas do Exército e da Marinha, aos bombeiros e, por fim, à Guarda Nacional.

A Revolta da Vacina não durou muito. No dia 16 de novembro foi decretado o estado de sítio e revogada a obrigatoriedade da vacinação. Com isso, o movimento popular também começou a se desarticular. Houve alguns mortos e centenas de presos, que foram enviados para a ilha das Cobras. Muitos foram deportados para o Norte do país, mas a maior parte não passou por processos formais.

Apesar de ser sempre lembrada como uma "revolta da população ignorante e iletrada contra a vacinação obrigatória", é preciso ressaltar que a imposição da vacinação foi apenas o pretexto que faltava para a população explodir sua indignação contra a falta de moradia, saúde, emprego, oportunidades de uma vida melhor que eram negadas pelo governo da época. Simplificar a revolta da vacina à falta de informação da população é uma forma equivocada de atribuir à ignorância dos pobres a incompetência da classe dominante que estava no poder para promover políticas públicas que contemplassem à todos, e não apenas a uma minoria que seria privilegiada com a reforma urbana de Rodrigues Alves e Pereira Passos. 🤨😟😒

#117anosdofinaldarevoltadavacina
#guerraserevoltasbrasileiras
#VacinasSalvamVidas

🧭 Concepção e elaboração do post 📝José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

📖 Fontes Consultadas:

🖱️ Site da Rede da Memória Virtual Brasileira
📖 SEVCENKO, Nicolau. A Revolta da Vacina. São Paulo: Unesp, 2018
🖱️ CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil

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