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🗞🕰 Num dia como hoje, 7 de novembro, há exatamente 200 anos, era fundado pelo tipógrafo Antonino José de Miranda Falcão, o DIARIO DE PERNAMBUCO, o mais lonjevo jornal em circulação na América Latina e em língua portuguesa. Com título de Patrimônio Imaterial Histórico e Cultural do Recife e acervo declarado Patrimônio Cultural Material do Brasil, o jornal é um símbolo de Pernambuco, com 3,7 milhões de leitores mensais. Nascido no recém-instaurado Império, o Diario de Pernambuco abriu espaço para o debate e divulgou textos e ideias abolicionistas e republicanos, com nomes como Joaquim Nabuco e José Mariano.
Criado em 1825 por Antonino José de Miranda Falcão, nasceu como uma pequena folha de anúncios – inclusive de venda e fuga de escravos – impressa em uma prensa manual na antiga Rua da Praia, área que mais tarde se tornaria o coração comercial do Recife. No início, de fato, era impresso numa única folha, com um caderno de anúncios de imóveis, achados e perdidos, leilões etc.
O primeiro número do Diário circulou quando o Brasil tinha apenas três anos de Império, e o Recife começava a se expandir para além dos arrecifes e dos mangues. Naquele tempo, a cidade ainda era uma vila portuária, formada ao redor do Capibaribe e cercada por engenhos de cana e casas modestas de pescadores.
A fundação do jornal coincidiu com um período de tensão política: Pernambuco ainda sentia os ecos da Confederação do Equador, movimento nortista que tentou implantar o regime republicano no Brasil, desafiando diretamente o poder de Dom Pedro I. Essa efervescência é sentida até hoje.
Em relação à vida literária do País, colaboraram no Jornal: Tristão de Ataíde, Otavio Tarquino de Souza, José Lins do Rego, Menotti del Picchia, Murilo Mendes e Augusto Frederico Schmidt, Gilberto Freyre, dentre outros.
O jornal acompanhou, e sobreviveu a, quase todos os grandes abalos da história brasileira: enfrentou empastelamentos no início do século XX, foi censurado na Era Vargas e teve sua redação monitorada na ditadura militar. O prédio histórico, na Praça da Independência apelidada pelos recifenses de Pracinha do Diário – foi, por décadas, um marco simbólico da liberdade de expressão.
Um dos capítulos mais emblemáticos desta luta pela liberdade e democracia ocorreu em 3 de março de 1945, quando o estudante Demócrito de Souza Filho, que se encontrava na sacada do Jornal, foi morto pela polícia do Estado Novo que tentava dissolver manifestação popular concentrada em frente ao edifício. Nessa época, o Jornal já fazia campanhia contra a ditadura varguista.
No final da segunda década do século 20, o então jovem advogado Barbosa Lima Sobrinho iniciava sua trajetória no jornalismo com artigos para o Diario de Pernambuco, na seção Tribuna Livre. Estreou, em 1919, com a série de textos intitulada “A Inelegibilidade do Marechal”. No mesmo período, o time de redatores do DP passava a contar com Assis Chateaubriand, que dava os primeiros passos no jornalismo antes de se tornar o dono do maior grupo de comunicação do Brasil na época e incorporar o próprio Diario de Pernambuco.
Nos anos 1960, de fato, Pernambuco passaria a “exportar” jornalistas para o Rio de Janeiro e São Paulo. Ricardo Noblat, que chegou a contar a história de uma vendedora de bilhetes premiados que perambulava pelo centro do Recife, na coluna Opinião, em 1967, foi um deles. Assim como Ângelo Castelo Branco, Geneton Moraes Neto, Gerson Camarotti, entre outros.
O Diário também sobreviveu a um século de idas e vindas empresariais. Em 1931, foi comprado por Assis Chateaubriand e incorporado aos Diários Associados, grupo que chegaria a reunir dezenas de jornais, emissoras de rádio e televisão em todo o país. Sob o império de Chatô, o jornal consolidou-se como referência no Nordeste e manteve essa posição por 84 anos, mesmo enfrentando longos períodos de instabilidade financeira.
A era dos Associados terminou em 2015, quando o grupo vendeu o controle majoritário ao Sistema Opinião de Comunicação, ligado à família Pinheiro, do grupo Hapvida. A transação, no entanto, durou poucos meses: ainda no mesmo ano, os irmãos Maurício e Alexandre Rands assumiram o controle, iniciando um breve ciclo de reestruturação.
Em 2019, o Grupo R2 vendeu o jornal, juntamente com as rádios Clube FM e Rádio Clube, para o advogado e empresário Carlos Frederico de Albuquerque Vital, conselheiro do Sport Club do Recife e vice-presidente jurídico da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco, além de proprietário de outros empreendimentos. Vital é o atual presidente do DP.
Em 2016, as edições de sábado e domingo do jornal foram unificadas e transformadas numa super edição impressa aos sábados, a exemplo de outros jornais. Assim, a edição dominical passou a ser oferecida online para os assinantes das versões impressa e digital. Essas medidas ocorreram por conta da crise econômica no País, mas não foram suficientes para estancar os problemas financeiros do jornal.
As redes sociais são o novo trunfo do jornal que, só em setembro, alcançou 317 milhões de visualizações no Instagram. m 2024, o site alcançou uma média de 5 milhões de visualizações por mês, um crescimento de 37% em relação ao ano anterior. Já em outubro de 2025, no mês de celebração do bicentenário, o portal contabilizou 8,75 milhões de views.
A antiga sede do Diário de Pernambuco foi construída em 1903. Em 2014 sua antiga sede foi cedida pelo Governo do Estado, pelo prazo de 10 anos, ao Porto Digital. Atualmente se encontra em situação de grande e lamentável abandono.
Para marcar o bicentenário, o Diario circula nesta sexta (07) com o caderno especial “A gente escreve essa história”. São 32 páginas que mostram como o periódico cobriu e apresentou fatos marcantes de Pernambuco, do Brasil e do mundo. Ainda hoje, está programada a abertura da cápsula do tempo, lacrada no centenário do jornal, e o lançamento do livro "Diario de Pernambuco: 200 anos", escrito por Ennio Benning, com colaboração de Ângelo Castelo Branco, Fernando Barros Correia e Ítalo Rocha Leitão.
O bicentenário chega em um momento de profunda mudança no ecossistema da mídia. Entre algoritmos, redes sociais e novas linguagens digitais, o Diário de Pernambuco reafirma sua vocação de ser mais que um veículo de notícias, uma testemunha viva da história, adaptando-se aos tempos sem abrir mão da credibilidade que o fez atravessar séculos. 👏👏👏👏👏👏
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🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo 🖋️ professor e historiador.
📖 Fontes consultadas para a postagem:
💰 Site da Revista Exame
💻 Site do Diario de Pernambuco
🖱️ Site do CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil.
🖼 Créditos da imagem original adaptada para esta postagem: "Olha o Diario!" (1989) óleo sobre eucatex, de Jurandyr (Jurandyr Cavalcanti) pintor alagoano. Acervo de Lêda Rivas.
👉 Para saber mais sobre o primeiro jornal brasileiro e seu fundador, acesse:
💻 https://jrscommuitahistoriapracontar.blogspot.com/2023/06/hoje-na-historia-010623-215-anos-da.html
💻 https://jrscommuitahistoriapracontar.blogspot.com/2024/08/hoje-na-historia-130824-250-anos-do.html
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