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🔪😠🗡️ Num dia como hoje, há 380 anos, ocorreu no distrito de Tejucupapo da atual cidade pernambucana de Goiana, uma batalha entre as tropas holandesas, sob o comando do almirante Johan Lichtart, e a população local, formada em sua maioria por mulheres. O episódio que entrou para a História com o nome de BATALHA DE TEJUCUPAPO evidenciou o papel de mulheres, guerreiras, destemidas, que também participaram do processo de expulsão dos holandeses no nordeste colonial, e que muitas vezes sequer são mencionadas nos livros e manuais de História.
O almirante Johan Lichtart saiu do Recife com alguns navios e 600 homens dirigindo-se a Tejucupapo, que esperava capturar de surpresa, para em seguida marchar sobre o povoado de São Lourenço, operação que lhe asseguraria os suprimentos de que a capital do Brasil Holandês carecia.
No campo oposto, em Tejucupapo, aguardava o major de milícias Agostinho Nunes, no chamado Reduto de Tejucupapo, erguido e guarnecido pelos próprios habitantes. Um pequeno caminho ligava o reduto com o povoado. Nas matas em suas margens, ocultava-se uma pequena força de trinta jovens, sob o comando de Mateus Fernandes. A povoação contava com cerca de uma centena de homens.
Lichtart desembarcou as suas forças, que marcharam sobre Tejucupapo, ferindo-se o combate, no qual pereceu Agostinho Nunes e a maioria de seus homens. Ao se aproximar do reduto, uma das mulheres da povoação tomou em mãos uma imagem do Redentor e, exibindo-a, chamou as demais às armas. As mulheres guerreiras de Tejucupapo prepararam-se para entrar em combate contra os holandeses.
Enquanto seus pais, maridos e filhos batem-se fora do reduto, elas acorreram às trincheiras para aí esperarem o inimigo. À sua chegada, sob o comando do próprio Lichtart, por três vezes a vaga de assalto foi rechaçada. Lichtart compreendendo as suas perdas e que mesmo com a vitória não conseguiria marchar sobre São Lourenço, ordenou a retirada, determinando conduzir os seus mortos para ocultar o número relativamente volumoso dos soldados que perdera, dentre os 600 que dispunha.
Mas as forças invasoras foram frustradas em sua intenção porque iniciou a reação da pequena e valente população local, que tendo à frente quatro mulheres – Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Joaquina – lutaram bravamente contra os invasores, enquanto os poucos homens que haviam permanecido na localidade ocupavam-se em emboscar os assaltantes, atacando-os à bala e não lhes dando sossego. Com o saldo da escaramuça, mais de 300 cadáveres ficaram espalhados pelo vilarejo, sobretudo flamengos. A batalha durou horas.
O primeiro registro escrito, e um dos raros existentes, em que foi narrada essa participação feminina nos fatos foi feita pelo religioso Frei Manuel Calado, testemunha dos conflitos entre Portugal e Holanda, no livro "O Valeroso Lucideno", já em 1648.
As mulheres de Tejucupapo conquistaram o tratamento de heroínas por terem com as armas, ao lado dos maridos, filhos e irmãos, repelido 600 holandeses que recuaram derrotados. Em 1859 o Imperador Dom Pedro II visitou a Localidade de São Lourenço de Tejucupapo e mandou cortar o pedaço de um tronco de uma árvore em memória da resistência dos moradores que ali lutaram.
Em 2023, a senadora Teresa Leitão apresentou o PL 1.393/2023, que sugere que se inscreva o nome das heroínas de Tejucupapo no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) já reconheceu oficialmente o papel histórico das heroínas de Tejucupapo e elas fazem parte do Livro do Panteão dos Heróis e Heroínas de Pernambuco, que registra figuras e grupos que contribuíram de forma decisiva para a formação da identidade pernambucana, por proposição do deputado Henrique Queiroz Filho (PP).
Anualmente é encenada no último domingo de abril por atores amadores, naturais de Tejucupapo, na Fazenda Megaó, a peça “Batalha das Heroínas de Tejucupapo”. Escrita e dirigida por Luzia Maria da Silva, desde 1993 (em dois anos, ele não aconteceu devido a problemas com políticos locais), a encenação teatral resgata a história de luta e bravura dessas mulheres tejucupapoenses. Em 2022, o teatro, que também é considerado o segundo maior teatro ao ar livre de Pernambuco, recebeu o título de Patrimônio Vivo da Cultura do Povo de Pernambuco, em nome da Associação Grupo Cultural Heroínas de Tejucupapo, que organiza e produz o evento que movimenta o turismo local e desperta a atenção do povo em torno desse episódio.
Hoje celebramos o Dia Estadual da Batalha das Heroínas de Tejucupapo. A evocação deste importante episódio nos faz lembrar da resistência das populações periféricas e marginalizadas, do apagamento das mulheres na escrita e ensino da História oficial e a importância da História local e oral como forma de preservação da memória. Viva as pernambucanas heroínas de Tejucupapo! Salve as guerreiras goianenses! 💪👩🏻🦱👩🏼👵🏽👊
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🧭 Concepção e elaboração do post 📝José Ricardo 🖋️ professor e historiador.
🖼️ Imagem utlizada no post: painel da artista Tereza Costa Rêgo sobre a Batalha de Tejucupapo
👉 Para saber mais sobre a presença dos holandeses no nordeste brasileiro, acesse:
💻 https://jrscommuitahistoriapracontar.blogspot.com/2021/11/hoje-na-historia-241121-390-anos-do.html
💻 https://jrscommuitahistoriapracontar.blogspot.com/2022/01/hoje-na-historia-230122-385-anos-da.html
💻 https://jrscommuitahistoriapracontar.blogspot.com/2021/08/hoje-na-historia-030821-376-anos-da.html
💻 https://jrscommuitahistoriapracontar.blogspot.com/2021/08/hoje-na-historia-170821-376-anos-da.html
💻 https://jrscommuitahistoriapracontar.blogspot.com/2021/02/hoje-na-historia-190221-372-anos-da.html
💻 https://jrscommuitahistoriapracontar.blogspot.com/2022/01/hoje-na-historia-260122-368-anos-da.html
👉 Assista também o vídeo sobre a Batalha de Casa Forte 📺 https://youtu.be/DaxUPzJ7A0s
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